Tivemos um tempo da transição entre o período da gestão do PT em Vitória da Conquista e a expectativa da mudança a partir da administração de Herzem. Foram 4 anos interrompidos pela fatalidade. Sem dúvida, houve avanços, mas será que se não houvesse a interrupção com a morte de Herzem, a gestão municipal teria avaliação melhor?

Essa pergunta, certamente muitos conquistenses estão fazendo. O estilo de Herzem não era de abdicar, sabia delegar, cobrar, e ouvir a voz do povo.

Comparar as gestões de Herzem e Sheila, não faz muito sentido. Herzem teve somente o primeiro mandato, portanto o seu planejamento foi bruscamente interrompido.

A Prefeita Sheila teve forte aprovação  para se reeleger, que representa o parâmetro de aprovação, mas Herzem também teve essa mesma aprovação, porém infelizmente não pode exercer em razão do seu falecimento.

Tenho dúvidas das segundas gestões de uma maneira geral. Há um pouco de acomodação que representa um risco na sucessão, além da corrida gananciosa dos que querem se habilitar à sucessão.

Não há gestão impecável. Até porque a equipe nunca é homogênea. Tem aqueles comprometidos ou em sintonia com a gestão, mas também tem aqueles sintonizados com seus padrinhos políticos, outros usando os cargos com vistas apenas ao salário, tem os preguiçosos que não vestem a camisa, e consequentemente não somam na gestão.

Mas, na soma dos erros e acertos de cada gestão ao longo dos últimos 50 anos, o município cresceu, continuou construindo seu processo de desenvolvimento, embora ainda tem muito a ser feito ou corrigido, como um melhor aproveitamento do seu potencial turístico e do seu acervo mineral com vistas às recentes pesquisas por terras raras, lítio, nióbio que tem na região sudoeste os olhos das grandes mineradoras multinacionais e empresas usuárias dessas comodities.

Há uma timidez da secretaria responsável pelo desenvolvimento econômico do município, na capacidade de atrair investidores Brasil afora, com uma campanha para divulgar oportunidades existentes, de pensar no seu polo educacional que anualmente forma profissionais, investe neles, e vão embora contribuindo com o desenvolvimento de outros centros. Falta mais criatividade, dinamismo e ousadia no segmento de atrair negócios.

Tá precisando fazer mais.


José Afonso Baltazar, economista, professor da Uesb, consultor em projetos.